Descentralização e Periferia
Começo a minha aula sobre "Descentralização" nas organizações com Alexis Charles de Tocqueville. Apesar do segundo nome ser extremamente relevante ;<), Tocqueville é incluido pela sua comparação entre a França e os Estados Unidos de sua época. Se na França há mais bombeiros do que nos EUA, como se explica que os incêndios lá são mais devastadores? A tese de Tocqueville é que os americanos dependem menos do poder central, e por isso, tomam mais a iniciativa de resolver os problemas, enquanto os franceses, dependentes do Estado, não tomam as iniciativas com a rapidez suficiente para debelar os incêndios. Americanismo a parte (porque aqui há uma enorme carga ideológica quanto ao paper do Estado), não há como evitar a reflexão sobre a periferia em São Paulo. Em uma sala de aula eu pergunto: quem toma mais iniciativa para melhorar suas condições locais, quem mora em um bairro de periferia ou alguém de um bairro rico? Justamente porque o Estado não chega na periferia, é ali que a iniciativa local é mais importante, e muitas vezes bem mais expressiva do que nos bairros ricos. A autonomia de decisão faz parte, na minha opinião, da construção da verdadeira cultura democrática. Escorregões sempre ocorrem, è vero! Quando eu brinquei que nem tudo pode ser mudado localmente (por exemplo, a língua oficial a ser ensinada em sala de aula) isso automaticamente cria uma situação de preconceito. Então as pessoas nesse ou naquele bairro falam outro dialeto? Etc, etc. Frustração: tenta-se valorizar a periferia e mostrar o caminho da autonomia, mas sempre na esteira carrega-se o preconceito.

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