Tuesday, October 31, 2006

Sistemas e Métodos Administrativos

Ontem, na minha sala de aula, senti que alguns alunos queriam um reforço nas diversas metodologias de desenho de fluxogramas. Os alunos argumentavam que, no semestre anterior, os eles aprenderam a desenhar o fluxo, a partir de um texto. Aprenderam a usar os símbolos certos, e tudo o mais. Mas o professor havia prometido que agora, na continuação do curso, eles iriam aprender a pensar sobre o que está atrás dos fluxos. Eu fiquei chateado. Disse-lhes que na primeira parte do curso eu ensino o mínimo de técnica, e o máximo de reflexão sobre as estruturas e processos, e que na continuação do curso, eu assumia que aquilo já era bem conhecido. Embora eu esteja convencido que o aluno de graduação deve, acima de tudo, aprender a pensar, e não a decorar uma certa simbologia (que muda a toda hora, dependendo da organização), eu não tenho certeza se isso não seria importante para a empregabilidade deles. Nos meus empregos, nunca me perguntaram se eu sabia mapear um fluxo com os símbolos corretos, e colocar de forma correta os losangos com as decisões "sim-não", mesmo porque, em muitos casos, as decisões não são tão programáveis assim. E se realmente são programáveis, será que esse trabalho já não é feito pelos programadores de sistemas? Ou será que estamos treinando pessoas para serem analistas de sistemas? Obviamente esse conhecimento nunca é inútil. Mas entre saber desenhar o fluxograma, e pensar logicamente, prefiro o segundo. O primeiro, acho, aprende-se na prática, se necessário. Ainda assim, cabe a pergunta: será que é possível termos um curso de administração "universal", onden todos aprenderão tudo, desde decisões estratégicas até o mapeamento de fluxos? Será que não deveríamos considerar a diferenciação do "técnico em administração" e do "gestor"?

3 Comments:

Blogger Augusto Galery said...

É engraçado como as pessoas querem apenas respostas, e nunca entendem que o divertido é descobrir qual as perguntas, né? Como se o que importasse na vida fosse o fazer.
Taylor provavelmente chamaria a esse povom, com muita satisfação, de "homens-boi"...

7:40 PM  
Blogger Charles Kirschbaum said...

É justamente a indagação do Élvio que me motivou a escrever esse post! Eu juro que não tenho a resposta para isso, mas é interessante como aqui esbarramos nas fronteiras meio cinzentas do curso. Afinal das contas, quantas pessoas não tornam-se administradoras após um MBA? E certamente, em um MBA, não há a exigência dos fluxogramas...

1:01 PM  
Blogger Charles Kirschbaum said...

Charles querido, gostei do seu texto e também quero deixer minhas reflexões.

Todos os dias, todas as aulas, sinto que andamos entre os fios da praxis versus reflexão. Noto que quando consigo (algumas poucas vezes), unir os dois, aí a aula fica fantástica! No caso dos fluxos, com ceretza eles estão se referindo a trabalhos de análises de processos de trabalho, ferramenta ainda bastante comum nas consultorias. Lá na empresa junior do mackenzie, os alunos utilizam uma metodologia assim; quando me chamaram para orientar um trabalho de consultoria, questionei-os sobre as limitações desta ferramenta e sugeri investigarmos quais os processos-chaves, o que a organização proporciona em valor a seus diversos stakeholders etc etc. Os resultados foram confusos: os alunos passaram a ser críticos deste modo de trabalho, quiseram discutir coisas maiores como missão, razão de ser da organização, conflitos e disputas de poder; o cliente, porém, queria os velhos fluxogramas, com detalhes de cada tarefa e documentação ampla e perfeita. Aí deu-se o conflito!

Assim, creio que você pode gastar um tempo com fluxogramas, com "mão na massa", mas sem perder o trabalho de instigar/promover reflexão e crítica. Os dois são necessários!

(Andrea Leite Rodrigues)

1:02 PM  

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