Sistemas e Métodos Administrativos
Ontem, na minha sala de aula, senti que alguns alunos queriam um reforço nas diversas metodologias de desenho de fluxogramas. Os alunos argumentavam que, no semestre anterior, os eles aprenderam a desenhar o fluxo, a partir de um texto. Aprenderam a usar os símbolos certos, e tudo o mais. Mas o professor havia prometido que agora, na continuação do curso, eles iriam aprender a pensar sobre o que está atrás dos fluxos. Eu fiquei chateado. Disse-lhes que na primeira parte do curso eu ensino o mínimo de técnica, e o máximo de reflexão sobre as estruturas e processos, e que na continuação do curso, eu assumia que aquilo já era bem conhecido. Embora eu esteja convencido que o aluno de graduação deve, acima de tudo, aprender a pensar, e não a decorar uma certa simbologia (que muda a toda hora, dependendo da organização), eu não tenho certeza se isso não seria importante para a empregabilidade deles. Nos meus empregos, nunca me perguntaram se eu sabia mapear um fluxo com os símbolos corretos, e colocar de forma correta os losangos com as decisões "sim-não", mesmo porque, em muitos casos, as decisões não são tão programáveis assim. E se realmente são programáveis, será que esse trabalho já não é feito pelos programadores de sistemas? Ou será que estamos treinando pessoas para serem analistas de sistemas? Obviamente esse conhecimento nunca é inútil. Mas entre saber desenhar o fluxograma, e pensar logicamente, prefiro o segundo. O primeiro, acho, aprende-se na prática, se necessário. Ainda assim, cabe a pergunta: será que é possível termos um curso de administração "universal", onden todos aprenderão tudo, desde decisões estratégicas até o mapeamento de fluxos? Será que não deveríamos considerar a diferenciação do "técnico em administração" e do "gestor"?
