Thursday, March 22, 2007

Teoria dos Sistemas

Para relaxar um pouco a tensão dos temas até agora expostos... esse sambinha eu encontrei nos meus alfarrábios, foi composto por um ex-aluno meu da Contabilidade do Mackenzie!


Teoria dos Sistemas
Autoria: Edvaldo Galdino Silva

Essa aula descorreu o tema
Difícil: "a teoria dos sistemas"
Fechado: empresa auto-suficiente
Aberto: ela depende do ambiente
Para Katz e Khan na organização
O importante é a informação

(Refrão)
Mas para aplicar a teoria
Bem mais que sinergia
Requer dedicação

Se você não entendeu
Eu também não
Por mais que eu prestasse atenção
E se a dúvida de você não sai
Pergunte a Ludiwig Von Bertalanffy

(Refrão)

Wednesday, March 14, 2007

Descentralização e Periferia

Começo a minha aula sobre "Descentralização" nas organizações com Alexis Charles de Tocqueville. Apesar do segundo nome ser extremamente relevante ;<), Tocqueville é incluido pela sua comparação entre a França e os Estados Unidos de sua época. Se na França há mais bombeiros do que nos EUA, como se explica que os incêndios lá são mais devastadores? A tese de Tocqueville é que os americanos dependem menos do poder central, e por isso, tomam mais a iniciativa de resolver os problemas, enquanto os franceses, dependentes do Estado, não tomam as iniciativas com a rapidez suficiente para debelar os incêndios. Americanismo a parte (porque aqui há uma enorme carga ideológica quanto ao paper do Estado), não há como evitar a reflexão sobre a periferia em São Paulo. Em uma sala de aula eu pergunto: quem toma mais iniciativa para melhorar suas condições locais, quem mora em um bairro de periferia ou alguém de um bairro rico? Justamente porque o Estado não chega na periferia, é ali que a iniciativa local é mais importante, e muitas vezes bem mais expressiva do que nos bairros ricos. A autonomia de decisão faz parte, na minha opinião, da construção da verdadeira cultura democrática. Escorregões sempre ocorrem, è vero! Quando eu brinquei que nem tudo pode ser mudado localmente (por exemplo, a língua oficial a ser ensinada em sala de aula) isso automaticamente cria uma situação de preconceito. Então as pessoas nesse ou naquele bairro falam outro dialeto? Etc, etc. Frustração: tenta-se valorizar a periferia e mostrar o caminho da autonomia, mas sempre na esteira carrega-se o preconceito.

Casamento e Ajuste Mútuo

Mintzberg, em "Criando Organizações Eficazes", nos fala do "Ajuste Mútuo" como uma das formas de coordenação entre as pessoas. De forma diferente da "Supervisão Direta" e das várias formas de padronização, essa forma de coordenação é a que mais se aproxima do modelo "orgânico" que tantos de nós vislumbra numa era pós-burocrática. Nosso ideal, nossa utopia, de todas as empresas serem como empresas de publicidade ou departamentos de P&D. Nesses locoais, pensamos, de um caos bem informal as coisas mais criativas surgem, e as pessoas não sofrem tanto com as amarras burocráticas das outras formas de coordenação. Para exemplificar o Ajuste Mútuo, eu geralmente uso o exemplo do casamento. Entre homem e mulher, o ajuste mútuo impera, ou deveria imperar. Será que essa é mais uma ficção de nossa era romântica (e ao mesmo tempo tão capitalista?). Uma aluna me desafiou nesse sentido: em casa há hierarquia, meu pai traz os recursos, e minha mãe obedece. Não obstante, são felizes, afirmava a aluna. Apesar das chacotas e brincadeiras da classe, de berros agonizados "machismo, machismo", não havia como demover a aluna. Eu nem tentei... esse é o espaço da tolerância e sobretudo do aprendizado. E quem diz que felicidade existe apenas no amor hollywoodiano?

Tuesday, February 27, 2007

Wikipedia

Todo começo de curso, aviso aos meus alunos: "quando forem fazer pesquisas, procurem fontes confiáveis! Ou seja, não vale Wikipedia!"
Minha birra com a enciclopédia virtual, cujos verbetes são definidos através de voluntários que os lançam via web, não é só pela possibilidade de erros, mas porque ela virou a única fonte de pesquisa dos alunos...
Essa semana, vi uma notícia que me chamou a atenção (aqui, em inglês, e aqui, um resumo em português), dizendo que a diferença entre o número médio de erros, por verbete, da Wikipedia e da Enciclopédia Britânica é apenas 1, concluindo que essa diferença é pequena, estatisticamente.
Sei lá... A Wikipédia tem mais de 4.000.000 de verbetes, o que faz 4.000.000 de erros a mais que a Britânica... Além do que, a conclusão da pesquisa é que a Wikipedia tem, em média, 4 erros por verbete (e a Britanica, 3). Quatro erros, em média, por verbete!!!
No mais, garanto que, na Britânica, você nunca encontraria isso sobre o Abílio Diniz (confira aqui):
Habermas afirmou no seu livro Theorie des kommunikativen Handelns que "a filosofia nunca mais foi a mesma depois do insight de Abílio Diniz de que "quem fica parado é poste". Esse terrível aforisma ecoa no pensamento europeu com a mesma intensidade fatídica do "Deus está morto" nietzscheano". (Ao ouvir a frase de Nietzsche, aparentemente pela primeira vez, o neotomista brasileiro teria dito, "Ô, que coisa, que é isso" - o que fez com que Habermas replicasse: "Que fofo!". Ver Dennet, Daniel, "Great Philosophical Conversations of Our Times").

(Obrigado ao Bernardo, do RTFM, pelo argumento do Abílio Diniz)

Sunday, December 17, 2006

Ford e a Anorexia

"Você pode comprar seu carro da cor que quiser, desde que seja preto".
Essa frase (ou algo próximo dela, só que em inglês) é de Ford. Significava, por um lado, que a possibilidade da produção em série tinha seus limites. Por outro lado, ela apontava o desejo de subjugar o gosto do comprador às possibilidades da produção em série, o que garantiria o máximo de vendas.
A psicanalista Anna Veronica Mautner, colunista da Folha (em coluna publicada no dia 19 de novembro e trazida a mim pela minha sempre atenta esposa, Ana), levantou uma hipótese interessante, ao comentar o boom de anorexia dos últimos tempos:
"Quem manda é quem inventa a moda. Ora, é muito mais fácil vestir uma tábua do que uma gorda. Na magra, as diferenças genéticas são menores porque, nas normalmente avantajadas, as medidas [...] são extremamente variadas [...]. O estilista, pois, cria para as magras e as mulheres querem poder vestir com facilidade as roupas que são criadas".
Afirmaria Gautier, num arroubo fordista:
"Qualquer um pode usar as roupas que faço, desde que seja manequim 34!"

Tuesday, December 12, 2006

Auctoritas

Auctoritas, do latim, é a idéia de autoria legítima que alguém se arroga sobre uma produção. Desse vocábulo também vem a palavra "autor". Obvio: se copiamos um texto de alguém sem lhe dar mérito, isso se torna plágio. Mas não é sobre esse tema chato que quero falar. Quero explorar o outro lado da questão, que é o esforço de todos nós em encontrar uma voz própria naquilo que escreve. Como professor, leio toneladas e toneladas de textos. São provas, trabalhos em grupo, TCC, iniciação científica, trabalhos de congressos, artigos, teses, dissertações, e aí vai... Fica sempre a pergunta, "mas qual é a opinião do autor, o que existe dele nisso tudo?". E muitas vezes dizemos: nada. Insegurança? Se tudo de inteligente já foi dito por algum grego enrolado num lençol, então por que tanta verborragia? Não há justificativa. E isso muitos filósofos sabiam muito bem. Wittgentein ficou vários anos em silêncio porque não tinha nada de original para falar. Recluso do mundo, como um eremita da gramática, esperou muito até que pudesse novamente escrever. Bem, esse rigor não exijo de ninguém, muito menos de mim mesmo! Menos! Mas de vez em quando acho saudável me perguntar quando escrevo: onde está o Autor nisso, onde estou eu?

Meu best-seller organizacional

No último domingo, uma amiga tentava me convencer a escrever um livro sobre aspectos psicológicos da organização. Ela garantia que seria um best-seller, porque eu sabia escrever, tinha mestrado na GV e já havia dado aulas em faculdades bacanas.
Outro amigo, na mesa, tentava me convencer a ler um desses guias de auto-ajuda organizacionais, em que se compara ensinamentos budistas aos hábitos de pessoas eficazes para garantir seu sucesso nas organizações. Para ajudar a me convencer, ele me contou parte dos conselhos que o livro dava.

A situação me lembrou, imediatamente, de uma tirinha do Calvin e Haroldo. Calvin decide ficar rico escrevendo um livro de auto-ajuda. Ele explica como escrever o livro:
"Primeiro, você convence as pessoas de que há algo errado com elas. Isso é fácil, porque a publicidade ja condicionou as pessoas a se sentirem inseguras quanto ao seu peso, aparência, status, atração sexual e assim por diante.
"Depois, você convence as pessoas que o problema não é culpa delas e que são vítimas de forças maiores. Isso é fácil, porque é o que as pessoas acreditam de qualquer forma. Ninguém quer ser responsável pela sua própria situação.
"Finalmente, você as convence de que, com os seus sábios conselhos e encorajamento, elas podem resolver seu problema e serem felizes."

Bom, já li alguns livros de auto-ajuda empresarial na vida. O suficiente para saber que o caso se aplica. Eu acrescentaria às regras do Calvin apenas mais uma: "Escreva o óbvio, mas compare com alguma coisa que esteja bem na moda, como o budismo, a teoria do Caos ou a responsabilidade social". E está pronto seu best-seller.

É claro, é preciso também que seu nome tenha peso. Nessa hora, me lembro do "Pequena Miss Sunshine" (spoiler: vou estragar parte do filme pra quem não viu; se você não viu ainda, vá ver, e depois volte pra ler o resto do post). De qualquer forma, deixo aqui apenas a idéia do filme: "Seu método é ótimo. O problema é que ninguém vai comprar um livro de um Zé Ninguém como você".

Dito tudo isso, começo a escrever meu best-seller. Seu principal ensinamento será que, para qualquer situação de vida em que você se encontra, existe uma tirinha do Calvin que poderá te ajudar a compreendê-la melhor!

Que tal?

Thursday, November 09, 2006

Propondo olhares

Qual a verdade absoluta da administração? Como já conversamos nesse blog, muitas vezes os alunos nos pedem para responder essa questão.
Nada fácil...
Como definir a verdade, se a verdade não passa de interpretação sensorial e retrospective sense-making? Se ela é muito mais complexa do que podemos apreender sensorialmente?
Por isso, na minha última aula, propus aos alunos o seguinte exercício: tentem imaginar se, ao invés de ver a reflexão da luz, víssemos em nível atômico. Tentem descrever a sala a partir disso, com todos os átomos de oxigênio, água e gás carbônico atravessando na frente dos montes de carbono amontoados de canto em canto, perdendo íons e elétrons para o ambiente. Tentem achar bonita a morena que senta na carteira do canto direito, vendo-a no nível molecular...
E depois, vejam se faz sentido perguntar sobre verdades absolutas...

Wednesday, November 08, 2006

Cultura Organizacional

Hoje um aluno me procurou para tirar dúvidas sobre cultura organizacional, que será tema de sua monografia de conclusão de curso. Basicamente, sua tese é que a cultura da empresa é a cultura do patrão. Como os funcionários devem enquadrar-se na cultura do chefe para sobreviver, então podemos julgar a cultura do todo pela cultura do maioral. Sua hipótese é que se a cultura for boa, então o desempenho é bom. Mas, perguntei, o que é cultura? Cultura, ele pensou, está ligada aos valores: integridade, respeito, etc. Muito, muito para discutir. O que realmente é cultura, se os funcionários têm ou não a mesma cultura do dono da empresa, ou se a cultura está ligada ao desempenho. Escolhi a última para discutir com ele, mas através de uma abordagem diferente: o que não é cultura? Incentivos são parte da cultura? Estrutura de autoridade é cultura? Se há incentivos para a colaboração em grupo, como podemos dizer se há realmente uma cultura de cooperação, até que esses incentivos sejam retirados? Uma metáfora: como podemos saber se o bebê anda, se insistirmos no "andador"? Mas aqui estou eu, aceitando de barato a idéia de cultura como um valor latente, lá, programado no chip do indivíduo organizacional.
Obviamente, podemos falar de "cultura" como uma linguagem, um sistema simbólico, um conjunto de práticas. Uma gramática. Que nos tragam os erros culturais...